Eu até gosto quando brigamos e ficamos nessa guerra fria. Parece que vou alimentando minha coragem para colocar um ponto final nessa história, nesse relacionamento desgastado, nessa vida a dois onde não há um completo.

Da última vez que você ameaçou ir embora, eu até senti uma sensação de felicidade quando ouvi a porta bater. Era como o estopim dos fogos de reveillon me convidando para uma nova vida. E o melhor, do meu jeito. Sem você com suas manias e defeitos.

Mas esse momento durou poucos segundos. Logo você voltaria e me olharia com aquela cara de derrota por não conseguir, mais uma vez, essa sua tão sonhada liberdade. São momentos como esse, a cama vazia e te olhar dormindo em silêncio que me trazem a certeza do quanto eu amo você.

 

       

 

 

 

Por Camila Galassi

Bru! Aqui está bom. Na primeira semana: muito bom, por que  tinha muita novidade e informação. Da segunda em diante, adaptação. Novas pessoas, hábitos, cultura e palavras. Estou gostando muito, mas ao mesmo tempo, tudo é muito estranho. Saí da minha zona de conforto total, aqui não tenho Thi, ainda não tenho amigas, não tenho meu carro, não tenho meu emprego. Tenho dicionário, livros, um teclado sem acento e um limite de dinheiro que a cada dia que passa, está se aproximando de mim, lentamente, mas está. Já vivi muitas coisas, conheci muitas pessoas, vi lugares novos e uma liberdade incrível de ser quem eu quiser a cada dia que nasce. Também, já tive algumas decepções, papos fodas, dia de mau humor e claro, muitas saudades do que eu deixei do outro lado da cordilheira. Mas acho que para as primeiras 3 semanas, era isso o esperado. Eu estou surpresa o quanto eu estou me conhecendo, descobrindo alguns limites, ultrapassando alguns e respeitando outros. Sim, está bom aqui. Mas acho que ainda tenho muita coisa para viver. Todo esse meu sentimento é o começo, uma transição de fases… e uma primeira resposta há meses de expectativas, né? E por aí, guapa, como estas?

Por Juliano Barreto

Não precisa confiar nas estatísticas alarmistas dos defensores do meio ambiente, é só olhar em volta para notar que o mundo está lotado demais. E o maior problema está longe de ser a superpopulação. Há gente demais que vive apenas para realizar sonhos pré-moldados nas propagandas e novelas, custe o que custar, pisando e desrespeitando quem precisar. Os bons não são maioria como diz o comercial. Existe em maior número aqueles tipos que se comportam como manada e vão lutar para tentar ter o corpo igual ao da modelo, o carro igual ao do jogador de futebol e assim por diante.

Essa é uma descrição sombria da sociedade, mas serve como base para o que eu quero perguntar e responder nesse texto: existe um bom motivo para ter filhos hoje em dia?

Penso que a resposta seja sim.

Penso também que esse motivo não é tão simples de explicar, não dá para ser resumido em uma frase curta. Ele começa pela inversão de alguns dos conceitos que são defendidos (pela maioria) de quem sonha em ter filhos. Essas ideias, conscientemente ou não, estão dentro de um pacote de sonhos pré-moldados, que inclui:

1         Ter uma coisinha fofinha para brincar/vestir/mostrar pros amigos

2         Perpetuar o nome da família

3         Afirmar ou reafirmar o compromisso entre os pais

4         Fazer o filho “ter tudo que eu não tive”

5         Ser mãe logo, enquanto o corpo aguenta

6         Não envelhecer sem ter sua própria família (não morrer só)

 

Essas ideias, resumidas e empilhadas, ficam com jeito de piada. Mas pergunte por aí “qual o motivo par ter filhos?” e aposto com você que as respostas vão flutuar em torno dessas possibilidades. As motivações para gerar uma criança quase sempre são egoístas, levam em conta desejos dos pais sem considerar as possíveis vontades futuras do ser humano que vai começar a existir. Filho não deveria servir para corrigir traumas. Até porque, mais do que a cor dos olhos e dos cabelos, os traumas, preconceitos e complexos passam de pais para filhos com extrema facilidade. Sugiro algumas saídas para quem pensa nesses itens acima como motivos para ter filhos:

1 Compra um cachorro

2 Adota uma criança

3 Faça terapia

4 Se você não tem 50 anos, calma

5 Use todas as alternativas anteriores

Mas ali em cima disse que sim, existe um bom motivo para ter filhos hoje em dia. E esse motivo tem muito a ver com todos esses comportamentos errados. O motivo para ter um filho hoje em dia é colocar no mundo alguém livre de todo esse comportamento enlatado. Claro que a menina vai vestir rosa e o menino vai vestir a camisa do time que o pai torce, mas, além disso, colocar alguém com bons valores e virtudes no mundo é algo muito necessário e bom.

Não estou dizendo aqui que o motivo para ter um filho é criar o próximo Einstein ou o próximo Ronaldinho Gaúcho. Penso que vale a pena por no mundo um cara que vai dar bom dia e dizer obrigado para o porteiro do prédio do mesmo jeito que ele fala bom dia para o chefe. Alguém que vai ser tolerante com as diferenças dos outros e ser um exemplo bom para quem estiver a sua volta.

Também é necessário e bom criar uma pessoa apaixonada pela vida que escolheu, seja ela sendo pintor, motoboy ou advogado. Alguém que curta realizar sua função e passe isso para os outros. De repente é assim que o mundo melhora, um elo positivo na corrente para incentivar os outros a pensarem de um jeito diferente. Quanto mais gente decente existir, melhor vai ser o mundo para mim, para meu filho e para todo mundo. Por isso, ajudar a criar uma geração livre de preconceitos e traumas já é um bom motivo para ter um filho.

 

Por Antônio*

Eu acredito que tudo nessa vida tem um prazo de validade. Serve bastante pra comida, mas também serve para coisas da alma. Dar “tempo ao tempo” é bem clichê, mas resume bem essa ideia de prazo de validade. Mas a única diferença do prazo de validade da alma para o prazo impresso nos produtos, é que você quem determina o quanto durará. Muito ou pouco. Independente de tudo. É você quem define.

Vai da sua vontade em curtir, ou não, essa fase. Que é chamada de fase, porque um dia acaba. Sempre acaba. Igual acabou pra mim. Pelo menos eu acho que sim. Porque, quando você começa a pôr na ponta do lápis os prós e os contras, se vale ou não a pena, é porque acabou. Então acabou.

Mas não foi assim tão fácil, como fazer um bolo de massa pronta, ou como pedir uma pizza no telefone. Mas também não foi tão difícil como escalar uma montanha. Foi natural como a vida deve ser – gostei disso. Quando notei, já tinha passado. E quando você toma ciência de que tirou um peso das costas e está mais leve pra prosseguir o caminho, dar continuidade, tudo muda.

Embora confesse que, por milhares de vezes, tive a iniciativa de tentar acelerar todo o processo, mas todas, exatamente todas foram em vão. Foram, e seriam em vão, mesmo se eu tentasse, incansavelmente, 100 milhões de vezes. Não deram certo porque eu ainda carregava dentro de mim, parte daquilo que eu queria deixar. Hoje já não mais. Não igual antes.

Hoje eu consigo olhar toda a situação de outra forma. E se eu tivesse visto isso antes, acho já tinha solucionado metade dos meus problemas, das minhas tristezas e cicatrizes, pois elas existem, e agora são mais que reais, pois eu as enxergo. Coisa que eu não via tempos atrás.

Não estou dizendo que não foi bom. Foi. Eu aprendi muita coisa. Aprendi a lidar melhor com meus sentimentos. Aprendi a lidar melhor com minhas emoções e aprendi que não vale a pena fazer de tudo, a toda hora e a todo o momento. E que viver em função daquilo ou daquilo outro, não é bom.

Eu diria que aprendi tarde, mas nunca é tarde pra aprender. Se é que você me entende!?

 

Foto: we♥it.com

 

*pseudônimo

 

 

 

 

Por Andreia Pavani

Eu nunca tive o sonho de me casar na igreja e muito menos de ser mãe… Eu sempre achei que não era para tal.

Eu namorei  7 anos e quando terminei de vez , ele me pediu em casamento . E  1 ano depois ,engravidei.

O sonho de toda mulher que não queria para  mim… aconteceu. A minha reação quando descobri que estava grávida, foi de apenas, chorar e chorar. Enquanto todo mundo estava radiante, eu só chorava.

Eu tinha medo de não ser capaz, de perder meu marido, de perder meu emprego, de ficar uma gorda enorme com o corpo todo deformado.

O meu medo era de não ser uma boa mãe, de rejeitar meu filho na hora do nascimento. Eu pensava: –  como vou cuidar de uma criança se eu mal segurava uma no colo!

O dia a dia me ajudou e me mostrou como deveria  fazer ,aos poucos meu medo foi embora e tudo caminhou como manda a vida.

Todas as conquistas do crescimento dele, do engatinhar, andar, falar, são nossas também.

Agora ,estamos passando por uma das piores fases. Ele está indo para a escolinha e fazendo a adaptação. Me  corta o coração ,quando ele vai chorando para os braços da coordenadora pedindo pela gente.

A  minha vontade é de sair dali correndo com ele e nunca mais voltar, mas sei que é para o bem dele.Afinal, na minha época não existia essa tal de adaptação e eu sobrevivi.

Hoje, se for preciso eu mato pelo meu  filho. O laço entre uma mãe e seu filho é muito grande, então fazemos qualquer coisa.

Não me arrependo de ter casado e muito menos engravidado.

O  meu filho é meu maior tesouro e sempre lutarei por ele… é claro que às vezes tenho vontade de esganar ele, mas quando ele fala mamãe te amo ,eu me derreto toda.

Eu nunca fui boa em escrever textos , mas a Bruna Carbone  fez questão e aqui está. Eu espero ter ajudado ou ajudar aquelas que acham que ter um filho é ter um bicho de sete cabeças.

Por  Tati Tacla

Uma curiosa equação. Especialmente quando isso significa 34 anos, vividos. Dentro dessa equação, intensa, os 34, podem ser divididos, multiplicados, somados. Mas a coisa é que estão todos aí, um a um. É como se a minha vida fosse dividida em pequenas vidas. Um fragmento de vidas. A “eu” que estudou naquele colégio e freqüentava aquele lugar, essa aí, viveu uma vida dentro da minha vida. Depois, tem a vida de cada trabalho que passei, de cada lugar que morei, da facú, dos amores que tive. Uma loucura. Que algumas partes parecem meio nubladas… e outras que as tenho claríssimas, como se fossem ontem.

E o que acontece é que, com o tempo, dá saudades dessas outras vidas. Dá saudades de mim. Não só da pele mais jovem e da facilidade para recuperar de uma ressaca de um día de festa, ou da coragem de ter aquele corte de cabelo ridículo dos anos 80. É mais. Eu tenho essa
nostalgia. Do meu jeito mais light de pensar a vida, com menos seriedade, sabe?

É que simplesmente saber que cada um destes frames, num vai passar em nenhuma película não. E mesmo voltando a cada um desses lugares, ou encontrando as pessoas, nunca vai ser o mesmo, o que se vive, vive.

To achando que isso é o que acontece quando a gente vai comemorando muitos cumpleaños. E os meus 34, chegaram que chegaram bombando!

Mas acho que eu já entendi muita coisa estudando todas essas pequenas vidas da minha vida.

Historias de uma vida cheia de vida. Mais ainda porque o inverno acaba mais cedo esse ano, e aqui longe onde eu tento explicar e contar minhas outras vidas, a primavera tem um significado especial: começa una nova vida, suerte y disfrutala!

 



Nós nos conhecemos no trabalho .Passamos de colegas para amigas muito rapidamente, mas de forma natural.
Somos bem parecidas fisicamente, mas psicologicamente… Ela me dá uma aula de equilíbrio,diplomacia,respeito, calma e praticidade.
Ela gosta de quem gosta dela e me dá a impressão, que a felicidade chega mais rápido para ela.
O tempo que passamos juntas foi bem eclético… fomos ao jogo do timão com os “trutas”, balada sertaneja ( eu amo, mentira!), Terraço Itália (belini´s ;) ) , Copan (Onça!) e por aí vai.
Ela me apresentou pessoas maravilhosas e que moram no meu coração.
Eu nunca pensei em ter um blog, até conhecê-la.
O problema  é que agora a felicidade dela será no sul e perderemos o dia a dia juntas , mas tenho certeza que nossa amizade dará saudade nos feriados.
Queridona, eu te agradeço por tudo . Vc fez /faz a diferença na minha vida.
Foi um prazer (realmente!) te conhecer.
Te amo.
Bru

 

Por Raquel Collesi

Olá, me chamo salto alto, muito prazer em conhecê-la. Estou aos seus pés nos momentos de glamour e também naqueles em que tudo o que você mais deseja era estar com os pés no chão. Por que você me escolheu? Essa é uma resposta que me pergunto todos os dias. Sei que sou esbelto, te deixo com um ar elegante, fatal, sem falar do desejo “sexual” que desperto nos outros. Sei também, que te dou a pílula do poder, te faço ver as coisas do alto, de uma atmosfera que aperta os dedos, mas aguça os sentidos. Lembro-me que, da primeira vez que vesti os seus pés, o número era quatro vezes maior do que os seus cinco aninhos, não é isso? E você, desajeitada caminhava pela sala de estar como se estivesse na passarela, galopando como se eu fosse um tênis com amortecedor. Naquele instante, já era certo que seríamos imbatíveis. E olha que eu já quebrei, deixei você grudada na vala algumas vezes, nas pedrinhas portuguesas, até na lama eu já fiz você afundar. Já fui tão xingado que perdi as contas, e eu, não levei em consideração, o que vem de cima não me atinge, conheço bem essa nossa relação de amor e ódio, no próximo par, passa. Nos seus pés conheço o mundo, do seu lado descubro cores e sabores, sou confidente, amigo de sapateira, faço você brilhar. Olá, me chamo salto alto, não tenha medo de me usar, pise firme, olhe adiante, não há nada mais lindo e elegante do que me ver passar. O salto alto de todo o dia Olá, me chamo salto alto, muito prazer em conhecê-la. Estou aos seus pés nos momentos de glamour e também naqueles em que tudo o que você mais deseja era estar com os pés no chão. Por que você me escolheu? Essa é uma resposta que me pergunto todos os dias. Sei que sou esbelto, te deixo com um ar elegante, fatal, sem falar do desejo “sexual” que desperto nos outros. Sei também, que te dou a pílula do poder, te faço ver as coisas do alto, de uma atmosfera que aperta os dedos, mas aguça os sentidos. Lembro-me que, da primeira vez que vesti os seus pés, o número era quatro vezes maior do que os seus cinco aninhos, não é isso? E você, desajeitada caminhava pela sala de estar como se estivesse na passarela, galopando como se eu fosse um tênis com amortecedor. Naquele instante, já era certo que seríamos imbatíveis. E olha que eu já quebrei, deixei você grudada na vala algumas vezes, nas pedrinhas portuguesas, até na lama eu já fiz você afundar. Já fui tão xingado que perdi as contas, e eu, não levei em consideração, o que vem de cima não me atinge, conheço bem essa nossa relação de amor e ódio, no próximo par, passa. Nos seus pés conheço o mundo, do seu lado descubro cores e sabores, sou confidente, amigo de sapateira, faço você brilhar. Olá, me chamo salto alto, não tenha medo de me usar, pise firme, olhe adiante, não há nada mais lindo e elegante do que me ver passar.

 

Foto: we♥it.com

Por Catarina*

Choro quando fico nervosa. E é uma explosão, vem de dentro e não dá pra segurar. Adoraria segurar. Adoraria não chorar. Mas, pra não chorar, teria que ser mais fria e egoísta, não sei se quero ser assim, só sei que quero ser menos sensível. “Hay que endurecer sin perder la ternura.” Companheiro Che, ainda não achei este caminho.

Próxima encarnação, está decidido: sem romantismo. Isso de ficar sonhando com o dia em que todos seremos felizes e as pessoas vão se entender e não mais brigar é uma droga. Romântico só se estrepa. Comecei a colecionar histórias de conhecidos que tiveram os namoros perfeitos terminados sem mais, nem menos. Simples do tipo: não gosto mais como gostava, fui. O que tá acontecendo? Eu nem sabia que amor acabava assim, de uma hora pra outra. Ou não era amor? Ou não acabou? Ou é medo? Eu sei lá. Sei que do nada, um lindo e fofo relacionamento vira desrespeito e pura falta de consideração. E quem entende?

Ah tá, o ser humano é imperfeito. Ok. Mas, não desconte raiva em quem te ama e se importa com você e, se o fizer, peça desculpas. Converse. Tente entender o outro lado, cacete, a pessoa te ama! Pensa bem, acha que vai querer te fazer mal? E, se for pra dizer que o “amor” acabou, faça da maneira mais digna. E-mail não é uma maneira digna, tampouco mensagem no celular, só pra deixar claro. Ah, e também não é nada legal querer discutir um fim de relacionamento mal resolvido por e-mail, só pra constar.

Outra coisa: se você ama, aja de acordo. Cansei de ver homem que se perde no meio de muito trabalho, se enche de desculpas pra deixar pra depois e, quando o namoro acaba (por W.O., é claro), o cara chora, se desespera e pede pra voltar. Lindamente, promete tudo o que a outra parte quer ouvir. E olha, essa história tem demais. Lá pelas tantas, olha o sujeito acomodado novamente e fazendo tudo errado de novo. Seu idiota, é o seguinte: não prometa o que não vai cumprir. Não fique insistindo batendo na porta da ex. Some. Vai falhar com outra pessoa, essa aí não aguenta mais.

 

*pseudônimo

 

 

Por Gabriel Moraes

Não sei se foi por causa do calor, mas esta noite não consegui dormir.

Fiquei lembrando de todas as músicas que cantávamos juntos. Parece que todas elas foram feitas para nós dois.

Para sermos felizes pelo tempo que fosse. E fomos.

Até que foi preciso deixar seu coração aquietar.

Falando em tempo, é provável que o que te faça lembrar de mim se perca com ele. Que as músicas tragam outro alguém aos seus olhos e os sonhos outros personagens.

Mas não seremos estranhos.

Seremos eternamente cúmplices, assim, como o milkshakes de morango. Com dois canudos.

 

 

Foto: we♥it.com